O poder da estratégia: como a prevalência do negociado sobre o legislado redesenha as relações de trabalho

A Reforma Trabalhista de 2017 plantou uma semente de modernização que agora, com o respaldo do Supremo Tribunal Federal, floresce em sua plenitude. A decisão da mais alta Corte do país, de validar a prevalência do negociado sobre o legislado, no julgamento do Tema 1.046, não é apenas uma vitória da autonomia sindical e empresarial. É a consagração da estratégia como ferramenta de gestão das relações de trabalho.

O modelo anterior, engessado pela rigidez da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), partia de uma premissa paternalista que limitava a capacidade de empresas e sindicatos de criarem soluções customizadas para suas realidades específicas. 

As regras, pensadas para um contexto industrial do século passado, nem sempre se adequavam à dinâmica da nova economia, gerando ineficiências e litígios desnecessários.

O STF, ao dar força aos acordos e convenções coletivas, reconheceu que ninguém conhece melhor as necessidades de um setor do que os próprios atores que o compõem. 

Dessa forma, a decisão permite que, via negociação, sejam adaptadas regras sobre jornada de trabalho, banco de horas, plano de cargos e salários, entre outros direitos, desde que não se violem as garantias constitucionais mínimas do trabalhador, como o salário mínimo e as normas de saúde e segurança.

O impacto estratégico dessa decisão é enorme e deve motivar empresas a ajustarem sua governança, pois a negociação coletiva deixa de ser um evento anual para reajuste salarial e se torna uma permanente oportunidade de construção de soluções. 

Assim, para as empresas, abre-se a oportunidade de criar um ambiente regulatório próprio, mais eficiente, produtivo e alinhado aos seus objetivos de negócio. Para os trabalhadores, representados por seus sindicatos, é a chance de negociar contrapartidas e benefícios que façam mais sentido para sua realidade.

Contudo, esse novo poder exige uma nova responsabilidade. Uma negociação coletiva mal conduzida, sem assessoria técnica e estratégica, que vincule a capacidade econômica das empresas, pode resultar em acordos frágeis, cláusulas nulas e, no limite dos limites, em um passivo trabalhista ainda maior. 

Nesse sentido, o sucesso não está na imposição, mas na construção de um consenso inteligente, onde a flexibilidade de um lado é compensada por uma vantagem clara do outro.

Nossa atuação no Pereira & Pelizzari Advogados transcende a advocacia tradicional. Atuamos como arquitetos de soluções, utilizando a negociação coletiva como um instrumento de governança e estratégia. Nosso objetivo é sentar à mesa não para disputar, mas para construir acordos sólidos, seguros e que impulsionem o crescimento sustentável do negócio.

Renan Pelizzari

With a broad background and a focus on Governance, LGPD and Corporate Recovery, Renan represents the new generation of digital and strategic law. He combines technical knowledge with expertise in legal security for high-risk environments.

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